JOSÉ REINALDO, O JUDAS DE SARNEY

“Nunca, na história do Maranhão, viu-se um governante de tamanha miséria moral.”

Aproxima-se o período da Semana Santa e a figura do judas associada à traição de Jesus Cristo é sempre lembrada na política.

Nessa postagem, o blog rememora o furioso artigo de José Sarney (“O fim do fim”), no qual ataca o ex-aliado e governador José Reinaldo Tavares.

A ira de Sarney tinha várias motivações, principalmente a ruptura de José Reinaldo com a oligarquia, no percurso de uma fratura motivada por razões familiares, vaidades e controle do dinheiro no Palácio dos Leões.

Filho político bastardo da oligarquia, José Reinaldo fora eleito governador em 2002, mas o plano era que Roseana Sarney mandasse e desmandasse na administração.

Eis que surge a figura de Alexandra Tavares, jovem e bela esposa de José Reinaldo, que não aceitou Roseana Sarney dar as cartas no governo do seu marido.

Naquela época, romance, traição, ódio, poder e dinheiro tramavam a narrativa política do Maranhão.

E José Reinaldo era reduzido à insignificância do judas, nas palavras do padrinho José Sarney.

Veja abaixo o artigo publicado em 31 de janeiro de 2006, no jornal O Estado do Maranhão.

O fim do fim

José Sarney

Amanhã temos uma data grandiosa para o Maranhão: deixa a cadeira de governador que desonrou e vai para a sua insignificância o judas José Reinaldo.

Nunca, na história do Maranhão, viu-se um governante de tamanha miséria moral. A começar pelo exemplo familiar. Não se trata de entrar na privacidade de ninguém. Mas o certo é que quem governa tem de oferecer o exemplo e honrar os valores da decência pública.

O Palácio dos Leões, que deve ser a vitrina da correção familiar, foi transformado em boate, objeto de murmúrios que um governador do Estado, com o menor senso do decoro, não podia permitir.

O Sr. José Reinaldo deu exemplo de mau filho, mau esposo, mau pai, mau parente e degradou-se na submissão conjugal, sem o mínimo respeito pela nobreza da função governamental, de onde deve sair o exemplo.

Entretanto, mergulhado no ódio e na insensatez, perdeu a sensibilidade de todos os valores humanos.

Fez questão de enlamear-se na traição. Se tivesse ficado só aí, o que já seria execrável, igualar-se-ia apenas a tantos que a história registra. Porém, foi mais longe: apodrecido pelo complexo de Macbeth, quis transformar a traição em virtude, a indignidade em ideal, o despudor em decência. Ei-lo a justificar-se insultando-me. Insincero e vil, saiu a condenar os quarenta anos de política por mim exercidos no Maranhão, período em que ninguém mais do que ele se aproveitou. Foi, na verdade, o maior beneficiário desse período. Há cinco anos estou fora do poder, mas ele continuou lá e agora vai tentar beneficiar-se de Jackson Lago.

Em 1967 levei-o para o DER, em 1970, o fiz secretário de Planejamento. Briguei com o professor Pedro Neiva porque queria fazê-lo governador em 1974. Obtive sua nomeação como diretor do DNOS, então uma das maiores autarquias do Brasil. Com Geisel, o fiz presidente da Novacap e secretário de Obras do Distrito Federal. Presidente da República, nomeei-o superintendente da Sudene e depois ministro dos Transportes, onde me fez pagar durante anos a concorrência da Norte-Sul. Isso porque muitos, inclusive o general Ivan de Sousa Mendes, do SNI, quiseram que eu o demitisse. Não aceitei o conselho por carinho, lealdade e afeto e para não vê-lo liquidado com a pecha de corrupto. Em 1990, o elegi deputado federal, em 1994, vice-governador. Repeti a dose em 1998, embora todos me advertissem de que ele não era mais o mesmo, depois de um casamento que todos sabem o bufônico fim que tomou. Lutei para fazê-lo candidato a governador, cargo que ocupou duas vezes.

Foram estes 40 anos de sinecuras por ele usufruídas pelas minhas mãos generosas, que ele resolveu amaldiçoar. Nunca passou um dia na vida fora de um cargo que não tivesse sido dado por mim. Assim, o maior beneficiário desses 40 anos foi ele. A minha indignação e revolta são confortadas pelo fato de que todos sabem que sua briga comigo foi provocada por motivos subalternos. Petite histoire de um capricho de mulher que nada teve de patriótico ou qualquer sentimento de defesa do Maranhão.

Ele teve a desfaçatez de falar em liberdade. A única liberdade que chegou ao Maranhão foi sua saída. Saiu o governador mais corrupto de nossa história, como bem sublinhou a revista “O Poder”. Não fez nenhuma obra. Não teve uma idéia. Estabeleceu o caos na máquina administrativa. Criou, para fazer politicagem, 53 secretarias de Estado! Fez, entre 1º de janeiro e 31 junho de 2006, 1.817 (um mil, oitocentos e dezessete) convênios e contratos, no valor de R$ 665.364.591,15 (Seiscentos e sessenta e cinco milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, quinhentos e noventa e um reais e quinze centavos) com Prefeituras e Ongs fantasmas para gastar e corromper as eleições. Foi a depravação administrativa.

Deixa os cofres públicos vazios e sai de bolso cheio. Como dizia o padre Vieira sobre os vice-governadores das Índias – “Chegavam pobres nas Índias ricas e saíam ricos das Índias pobres”.

A um prefeito que se recusava a votar em Jackson sob a alegação de que seus inimigos no município eram do PDT, ele disse: “Vote e deixe por minha conta. Jackson não tem condições de governar o Maranhão. Sou eu que vou mandar no Estado e Vidigal na área federal”. Eu tenho a gravação da conversa.

Jackson tem uma história política e familiar respeitável, ao contrário de José Reinaldo, que quando jovem era já conhecido como Zé do Éden, e agora como Zé Noel. Este não tem história nenhuma. Mandar em Jackson seria a tragédia do estado.

Deixou o Maranhão mais pobre ainda. Falou tanto em IDH. Roseana deixou o IDH-renda em 0,576 e Zé Reinaldo deixa em 0,570. Renda per capita: Roseana 192,96; José Reinaldo, 184,23. Eis o desmentido de que ele ia combater a pobreza. Esta, na verdade, aumentou. Veja o povo como foi enganado.

Vou ajudar o Maranhão, como sempre. Já comecei, concluindo o projeto de gás que há mais de quatro anos tentamos viabilizar e que o presidente Lula aprovou.

Agora, sim, o Maranhão está, de fato, livre. José Reinaldo confundiu licenciosidade com liberdade. O Maranhão está livre de José Reinaldo. Amanhã, o Estado terá um governador que esperamos saberá dignificar suas funções, com uma esposa digna, honesta, respeitável, como sempre foram as famílias do Maranhão.

Daqui a cem anos este artigo será lido e meu nome estará onde sempre esteve na história do Maranhão, enquanto esse malandro entrará como Lázaro de Melo: réprobo, renegado, exemplo de traição e crapulice.

Escrevo este artigo com dever de político, criticando, censurando, procurando sanear o que de pior existe na política: a ignomínia, a corrupção, a indignidade, a malversação e o aproveitamento da coisa pública.

Afinal, se me dessem a oportunidade de uma sugestão eu diria: lavem com sal grosso o Palácio dos Leões para limpar a sujeira.

Vade retro.

A RESTAURAÇÃO DA CAPELA E A HISTÓRIA DO FUTURO

Cristiano Capovilla* e Fábio Palácio**

Que relações podemos estabelecer entre a restauração de uma antiga capela e o futuro político do Maranhão? O ex-presidente e escritor José Sarney, em curto artigo veiculado no último domingo (19) em jornal de sua propriedade, estabelece a disjuntiva entre passado glorioso e futuro tenebroso, de vez que, na realidade presente, “tudo cai no Maranhão”. Na visão de Sarney, a culpa pelo suposto infortúnio seria de uma doutrina apresentada como avessa à “propriedade” e à “religião”: o comunismo, recentemente alçado ao poder central do estado com a eleição do governador Flávio Dino.

Em se tratando de igreja, futuro e Maranhão, talvez o mais conceituado cronista ainda seja o padre Antônio Vieira, que, em sua História do Futuro, deixa-nos um precioso ensinamento acerca daqueles que preferem viver do passado. Retomando a velha querela filosófica entre tradição e modernidade, o Imperador da Língua Portuguesa coloca-se ao lado dos que vivem o presente e constroem o futuro, locus da realização da profecia. Ele critica aqueles que só enxergam autoridade no passado, desconhecendo o trabalho do tempo. São os que têm a cabeça virada para as costas “sem descobrir e inventar cousa alguma”; “são mais copiadores que autores, acrescentando às opiniões número, mas não peso”. Para ele, a causa de serem preteridos os novos é a ignorância acerca do tempo presente ou, pior, a inveja dos contemporâneos: “Inveja que só louva os mortos para melhor denegrir os vivos”.

Argumentando em favor do cumprimento das profecias, diz Vieira: “Os profetas do Velho Testamento anunciaram a Cristo […], mas o Batista mostrou-o melhor. Os outros diziam ‘há de vir’; e ele disse: ‘é este’”. Não por acaso, lembra o Imperador, “a palavra evangelho quer dizer, precisamente, boa nova”. Como nos sugere o crítico literário Alfredo Bosi, “essa pertença do profetismo à linguagem religiosa não impede que a sua aplicação à ordem secular, ao mundo, ganhe uma dimensão política”.

Não pode haver disjuntiva, a não ser estéril, entre o que foi e o que é. Os modernos beneficiam-se do legado e das lições do tempo, inclusive com a possibilidade de corrigir os erros do passado. Inversamente, toda tradição digna desse nome compreende que só se pode realizar plenamente no devir – ainda que não mais como tradição. Afinal, conforme argumenta o líder comunista Lenin em seu A que herança renunciamos?, não se conserva uma herança “como os arquivistas conservam papéis velhos”. Ser depositário da tradição não significa limitar-se a ela.

É assim que, na relação entre passado e futuro, deve sempre prevalecer a mediação da atualidade. Deve vigorar o desejo e a consciência do presente. Pois o ontem não existe em si, mas apenas subsumido às prioridades de hoje. E esse hoje nada mais é do que a luta política em torno de projetos programáticos, isto é, de projetos de futuro. Passado, presente e futuro unidos em uma única constelação histórica. Devêssemos nós, nesse sentido, aprender com a dialética de Vieira – a mesma que os comunistas reivindicam e pretendem renovar. O jesuíta sabiamente inverte o sentido das palavras: o novo, justamente por vir depois, por último, é verdadeiramente o antigo, pois acumula os séculos passados; já o antigo, por ter vindo primeiro, antes, é precisamente o novo, pois ainda não acumulou a herança do tempo…

“Se a memória bastasse”, questiona-se Vieira, “por que Deus teria nos dado entendimento?”. De fato, muitos de nossos impasses resultam de não compreendermos que o passado jamais se encerra em si mesmo. Nossa existência é efêmera em face da infinitude do processo transformador. Mesmo a forma como as diferentes gerações percebem-se umas às outras diz-nos muito dessa incompreensão. É comum cada geração reclamar para si, e anunciar com pompa e circunstância, a “conclusão” da obra transformadora. Os esforços já realizados são solenemente evocados, e então as antigas gerações mostram-se irritadas e mesmo desorientadas quando a juventude, vocalizando seus anseios irreconhecíveis — tanto nos propósitos quanto, mais ainda, nos sotaques —, proclamam que a transformação afinal não veio, que ainda há muito por fazer.

A disjuntiva entre pretérito e porvir só existe quando este, abdicando do papel realizador que lhe é precípuo, transmuta-se ele próprio em retorno ao passado. Isso pode acontecer em muitas partes, e há quem diga que ocorre hoje no Brasil. Não é, de modo algum, o caso do Maranhão. A restauração da Capela de São José das Laranjeiras é prenúncio de todas as restaurações que precisam ser feitas no Maranhão, pois herdamos uma tradição que se pretende, muitas vezes, em disjuntiva com o futuro. Proclamemos, então, como Vieira: “Saudades do futuro as que ditam as nossas esperanças”.

* Cristiano Capovilla é professor de Filosofia da UFMA e diretor da Fundação Maurício Grabois – Maranhão.

* Fábio Palácio é professor do Depto. de Comunicação Social da UFMA e presidente da Fundação Maurício Grabois – Maranhão.

TURISMO EM SÃO LUÍS: PREFEITURA SINALIZA A CIDADE DESTRUÍDA

A Prefeitura de São Luís distribuiu release sobre a instalação de placas de orientação turística, anunciando a colocação de 14 pórticos, totalizando 56 placas, em diversos pontos da capital maranhense.

Boa ideia e merece reconhecimento.

Os turistas, assim como qualquer morador de São Luís, precisam ter equipamentos úteis à localização e deslocamento na cidade.

Mas, enquanto a administração municipal se preocupa com as placas no alto, o asfalto da cidade se desmancha com as chuvas.

Os buracos aumentam em uma velocidade avassaladora, tomando conta das avenidas principais e dos bairros.

Pouco adianta colocar placas para orientar os turistas se eles encontram uma cidade destruída.

Por outro lado, apesar da sua importância ao turismo, as placas chegam a ser um luxo porque a cidade é carente de sinalização básica para os seus próprios moradores.

Andar ou dirigir pelas ruas de qualquer bairro de São Luís é um vôo cego para quem não conhece as localidades, onde a sinalização é precária ou inexistente.

Segundo o release da Prefeitura, as placas que estão sendo colocadas foram definidas com base em estudo feito em parceria com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).

Para o trabalho ficar completo, só faltou a parceria com a Secretaria de Obras (Semosp), responsável pelas infinitas e sempre mal feitas operações “tapa buracos”, que todos os anos se transformam em crateras.

Fica aí a sugestão à Prefeitura: que incorpore a Semosp na parceria e, no ensejo, faça centenas de placas para identificar também os buracos e crateras da cidade.

Os turistas e a população agradecem.

Fotos: Divulgação / Prefeitura de São Luís

PODER SUPREMO: O QUE DIZ A FOTO DE FLÁVIO DINO COM ALEXANDRE DE MORAES

Muita gente não gostou da foto divulgada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) prestigiando a posse do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A repulsa faz sentido. Afinal, soa incoerente o governador confraternizar com os “golpistas”.

Mas, coerência ficou restrita aos partidos de extrema esquerda: PCB, PSTU e PCO.

Na política real, o PCdoB joga no campo do pragmatismo necessário e cada dia mais exigido às circunstâncias da conjuntura.

Bem antes de ser governador, Flavio Dino já sabia que o poder na província depende das articulações na República, especialmente no Judiciário.

Tem sido essa a tradição desde Vitorino Freire até José Sarney, que apeou Jackson Lago (PDT) do Palácio dos Leões com uma decisão do STF.

Diferente de Jackson Lago, que deu pouca importância para Brasília, Flávio Dino sabe prestigiar o Supremo, transformado em uma espécie de superpartido político no Brasil desrepublicanizado.

Nesse cenário em que a independência entre os poderes foi sepultada pela judicialização da política, a foto com Alexandre de Moraes é um afago no poder supremo e cristaliza o mantra que diz: “a política é dinâmica”.

Tanto é que na terça-feira (21), na propaganda partidária nacional do PCdoB, os comunistas encerraram com o “fora Temer”, atacando o governo “golpista” do qual Alexandre de Moraes foi peça importante.

AUSÊNCIA INTRIGANTE

Colado em Lula, Waldir Maranhão busca o Senado

Finalmente, a divulgação da foto com Alexandre de Moraes pode ter sentido variado. Por exemplo: o da ausência de outra imagem, que intriga a todos, com uma pergunta:

– Por quê Flavio Dino não foi ao encontro de Lula na inauguração popular da transposição do rio São Francisco?

A foto ideal, coerente, que agradaria os simpatizantes do governador, seria ao lado de Lula, batizando a aliança de 2018 nas águas do São Francisco, visto que Flávio Dino foi o mais ardoroso defensor do mandato de Dilma Roussef (PT).

Diante da ausência de uma foto com Flávio Dino, eis que surge, ao lado de Lula, o intragável deputado federal Waldir Maranhão (PP), já abençoado pelo presidenciável petista como candidato a senador na chapa a ser liderada pelo comunista em 2018.

A dinâmica da política tem dessas coisas: ausente no maior ato popular da pré-campanha de Lula, na transposição do rio São Francisco, o governador Flávio Dino afaga o STF, centro das decisões políticas do Brasil e peça fundamental na disputa presidencial de 2018.

Como diz o ditado, as imagens valem por mil palavras. A foto do governador com o ministro do STF carrega uma suprema mensagem.

APRUMA APONTA SITUAÇÃO PRECÁRIA DA UFMA EM PINHEIRO E IMPERATRIZ

Em nota, a APRUMA (Associação dos Professores da UFMA) reitera críticas ao projeto de expansão sem qualidade e faz reivindicações sobre a democratização e transparência na gestão universitária. Veja abaixo.

NOTA 

Tendo em vista a abertura do semestre letivo 2017.1 e diante da dificuldade concreta de alguns campi da UFMA, como o CCHNST (Pinheiro) e o CCSST (Imperatriz) de iniciarem suas atividades acadêmicas, seja por inadequação e insuficiência de espaço físico ou de recursos materiais e humanos, a diretoria da APRUMA-SS vem a público reafirmar a defesa da universidade pública e da sua expansão com qualidade e solidarizar-se com a comunidade acadêmica.

Há tempos alertamos sobre as graves consequências de uma expansão mal planejada e precária como a implementada na UFMA com as verbas do REUNI. Chamamos à responsabilidade seus promotores e reiteramos que a luta contra o sucateamento dos campi é bandeira histórica da APRUMA-SS, a exemplo das últimas pautas de greve encaminhadas para as administrações superiores.

Solicitamos à atual gestão superior da universidade, que herdou essa situação caótica, agravada pelo corte de verbas, que atenda nossa pauta local de reivindicações, construída ao longo de anos de luta e movimentos grevistas, da qual destacamos:

1 – Assentos permanentes nos colegiados superiores para representantes dos campi do continente, eleitos democraticamente;

2 – Assegurar a autonomia e a isonomia de todos os campi do continente, garantindo o funcionamento acadêmico e administrativo de forma democrática;

3 – Dar transparência ao orçamento da universidade, apontando os cortes ocorridos nos últimos anos;

4 – Garantia de ambientes de trabalho seguros e adequados às funções docentes, tanto em número quanto em equipamentos (gabinetes individuais, laboratórios, espaço de práticas clínicas e comunitárias, etc., conforme as especificidades dos cursos);

5 – Garantia de conclusão das obras paralisadas e consulta às bases da universidade para eleição de prioridades em futuras construções.

A Diretoria

PRISÃO DE BLOGUEIROS É NOVO ALERTA SOBRE AS RELAÇÕES PERIGOSAS COM AS FONTES E O CRIME

Desde o assassinato do jornalista Décio Sá, o sinal amarelo acendeu na blogosfera do Maranhão, levantando o debate acerca da promiscuidade entre alguns jornalistas com os seus informantes e as redes do crime organizado.

Repórter incansável, com faro jornalístico aguçado, Sá enredou-se na malha da agiotagem e acabou empolgado demais com a impressão de que era amigo do Palácio dos Leões e estava protegido.

Nessas circunstâncias, há sempre o risco da prática da pistolagem midiática e o jornalismo de encomenda atrapalha o interesse público.

Em 21 de março o sinal amarelo mudou para vermelho. A Operação Turing da Polícia Federal prendeu três blogueiros e conduziu coercitivamente mais cinco.

Segundo a Polícia Federal (PF), os blogueiros seriam parte da organização criminosa que atrapalhava investigações contra empresários e servidores públicos, mediante a negociação de informações sigilosas obtidas por meio do policial Federal Danilo dos Santos Silva.

Com cargo importante (Administração, Logística e Inovação) na Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), Danilo Silva havia sido exonerado pelo governador Flávio Dino em 9 de março, 12 dias antes da Operação Turing ser deflagrada.

A promiscuidade entre os jornalistas e a fonte resultava em um negócio lucrativo. O policial galgava espaços na política e os blogueiros faturavam com o agendamento (positivo ou negativo) dos investigados, de acordo com a PF.

Agora é aguardar o curso das investigações e meditar sobre o contexto político-midiático no Maranhão.

NEGÓCIO DA NOTÍCIA

Os blogs viraram fenômeno no Maranhão. Transformaram em operadores da notícia várias pessoas sem formação em Jornalismo, criando relações perigosas com fontes encarregadas de investigar e fiscalizar os agentes públicos.

Fora da chamada mídia tradicional, alguns blogueiros ganharam poder, fama e dinheiro.

Em parte, o crescimento dos blogs foi uma alternativa ao controle dos meios de comunicação tradicionais por famílias de políticos, principalmente os sistemas Mirante/Globo (José Sarney) e Difusora/SBT (senador Edison Lobão).

Weverton Rocha monta império de Comunicação para disputar o Senado

Aí está o problema principal! O mercado de trabalho para os profissionais de comunicação é sempre refém dos controladores da política e das verbas publicitárias dos dois maiores financiadores: a Prefeitura de São Luís e o Governo do Estado.

É sempre bom reiterar: na maioria das vezes os jornalistas dependem dos esquemas de poder que controlam as empresas de mídia. Não há como julgar e condenar os profissionais de Comunicação que trabalham para as corporações jornalísticas. São pais e mães de família que precisam de emprego para alimentar suas famílias e, pela regra, precisam obedecer às linhas editoriais ditadas pelos controladores.

BONS COMPANHEIROS

Vejamos, por exemplo, o que acontece no Sistema Difusora de Comunicação. Nos bastidores, corre a versão de que este complexo midiático está arrendado (ou fora vendido!?) ao deputado federal Weverton Rocha (PDT), candidato a senador em 2018.

Detalhe: emissoras de rádio e TV são concessões públicas e não podem ser arrendadas.

No mundo das sombras da caverna platônica o chefe maior do Sistema Difusora, senador Edison Lobão (PMDB), seria adversário do deputado pedetista arrendatário.

Mas, a política nem sempre é como os apaixonados pensam. Os adversários geralmente se entendem no âmbito dos negócios.

E o deputado Weverton Rocha surge agora como uma espécie de Assis Chateaubriand do Maranhão, controlando uma rede midiática unicamente voltada para o projeto de torná-lo senador.

Uma hora o Ministério Público e a Polícia Federal podem se interessar por esse fenômeno: de onde sai o dinheiro que paga o arrendamento do Sistema Difusora de Comunicação?

Em 2018 haverá uma nova guerra midiática no processo eleitoral e as empresas de comunicação e os blogueiros vão acionar suas armas em torno das suas candidaturas e preferências.

Às vezes, nessa guerra, o primeiro a ser morto é o leitor/ouvinte/telespectador.

Da Operação Turing e seus desdobramentos, espera-se que a investigação dê uma freada nas práticas apontadas pela Polícia Federal.

No mais, cobra-se o aprofundamento das investigações. É preciso chegar aos altos escalões dos órgãos encarregados de fiscalizar e julgar os gestores (principalmente prefeitos) nas suas prestações de contas e nos atos gerais da administração pública.

Afinal, os blogueiros não agiam sozinhos.

POLÍCIA FEDERAL PRENDE BLOGUEIROS EM INVESTIGAÇÃO SOBRE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

A Polícia Federal deflagrou nesta manhã (21/3) a Operação Turing, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa composta por servidores públicos e particulares que causavam embaraço a investigações da PF no estado.

Aproximadamente 80 policiais federais estão cumprindo 23 mandados judiciais, sendo quatro de prisão temporária, quatro de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara da Justiça Federal de São Luis/MA.

A Justiça Federal decretou a prisão temporária do ex-secretário adjunto de Inovação, Logística e Inovação Penitenciária, Danilo dos Santos Silva; e dos blogueiros Luis Cardoso, Luis Pablo e Neto Ferreira. O primeiro é pai dos dois últimos.

Outros cinco blogueiros foram conduzidos coercitivamente: Antonio Marcelo Rodrigues da Silva (Marcelo Minard), Yuri dos Santos Almeida (Yuri Almeida), Marcelo Augusto Gomes Vieira (Marcelo Vieira), Antonio Martins Filho e Ezequiel Martins da Conceição (Kiel Martins).

A Justiça também determinou busca e apreensão nos endereços utilizados por todos os representados.

Danilo Silva foi exonerado do cargo em 9 de março, em ato publicado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), no Diário Oficial do Maranhão.

SIGILO LUCRATIVO

A investigação, iniciada em 2015, revelou que um policial federal revelava antecipadamente fatos sob sigilo de Justiça a blogueiros. Estes, por sua vez, ameaçavam funcionários públicos e empresários e pediam valores em troca da não divulgação na mídia local dos fatos descobertos em desfavor deles.

Os investigados aproveitavam também a oportunidade para fugirem ou destruírem provas. Em troca, o servidor público era agraciado com publicações na imprensa em seu favor, permitindo sua inserção em cargos de confiança do Estado. Ele chegou a assumir a função de Secretário Adjunto da Administração, Logística e Inovação Penitenciária.

A PF apura ainda possíveis frustrações do caráter competitivo de licitações do sistema prisional, bem como eventuais desvios na execução de verbas públicas.

O nome da operação é uma referência a Alan Turing, um cientista e matemático britânico responsável pelo desenvolvimento de uma máquina utilizada durante a Segunda Guerra Mundial, capaz de interceptar e decodificar dados criptografados transmitidos pela máquina Enigma.

SHOW: LOBO SIRIBEIRA E @PARELHA

Nesta quinta, dia 23, o Projeto Palco 42, realizado pelo Laborarte, recebe a pungada eletrônica de Lobo Siribeira e @parelha.

O grupo formado por Lobo Siribeira (vocal), Beto Ehongue (beatmaker, vozes e direção) e Baé Ribeiro (percussão) entra no terreiro digital da música do universo com todos os toques que ajudaram a compor a nossa ancestralidade e com a poética científica dos caboclos urbanos, verborragia, visceral e delicada que ajudam na construção de um mundo mais harmônico, diverso e dançante.

Por falar em dança, esse é um ponto forte do trabalho que, juntando couro, toque, loops e samples desafia ficar parado todo corpo presente, daqui ou de outras bandas “invisíveis” que por ventura possam se aproximar ao ouvir o toque do ferro, do gan ou do synth.

Data: 23 março (quinta-feira)

Local: Laborarte

Hora: 19h

Entrada: grátis

Mais informações: 98-988052001/984335902 (whatasap)

Email: beto_ehongue@hotmail.com

100 ANOS DE JOSUÉ MONTELLO (PARTE 2): DOM SEBASTIÃO

O blog dá sequência à publicação de trechos da obra do escritor maranhense (universal) Josué Montello, que completaria 100 anos em 2017. Ele morreu em 2006, mas sua obra é sempre uma boa leitura.

Nessa passagem do livro Cais da Sagração (p. 176-177), a personagem principal, Mestre Severino, a bordo de seu barco “Bonança”, encara uma visagem do Rei Dom Sebastião, ao passar pela Ilha dos Lençóis, em Cururupu. 

– “É o rei! – exclama, de cabelos eriçados, imóvel, os olhos exorbitados.

E ele vê realmente D. Sebastião no seu cavalo branco. Antes que o espanto do velho se atenue, o ginete salta do convés para a praia, num único impulso, e agora lá vai, lepte, lepte, no mesmo galope garboso, pela faixa de areia limpa que parece não ter fim. A luz do luar bate nos seus arreios de outro e prata, cintilando à maneira de um halo. Cavalo e cavaleiro se completam na configuração de um centauro. E já vão longe, muito longe, quase apagados na distância. Antes que desapareçam, o cavaleiro torce a rédea, e o cavalo começa a voltar, sempre a faiscar outro e prata, e no mesmo galope.

[…]

Águas nas proximidades da Ilha dos Lençóis. Imagem do site https://pousadadelencois.wordpress.com/sobre_a_ilha/

Como todos os barqueiros, nos muitos caminhos das águas do Maranhão, Mestre Severino sabe que não é de bom agoiro avistar o navio do Rei. E logo se lembra de que, ainda menino, via nas ruas da cidade o pobre do Chico Nolasco, prêto, a cabeça branca, tocando o seu berimbau chorado no Largo da Matriz, e que havia ficado leso da noite para o dia, de volta de uma viagem a São Luís, exatamente por ter visto, sob o luar de junho, ao passar pela praia dos Lençóis, no navio de D. Sebastião.”

REFERÊNCIA

MONTELLO, Josué. Cais da Sagração. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1971.

O CAOS NA FEIRA DO JOÃO PAULO

Carlos Agostinho Couto

Doutor em Políticas Públicas

Professor do Departamento de Comunicação da UFMA

Tive a necessidade de ir na feira do João Paulo hoje. Se considerarmos o trânsito indiano, a sujeira da ruas e calçadas (além de muita lama e buracos)…piso descascado, paredes e colunas marrons, de tanta sujeira, escoras apoiando bancas, cobertas e letreiros…a forma como são armazenados, expostos e manuseados os produtos…cães na área de carnes, cujos corredores estão sujos de sangue…alimentos (merenda, almoço…) produzidos e consumidos no mesmo ambiente…sarjetas repletas de esgoto, penas, cascas de frutas e legumes…venda de veneno de rato colada na venda de tempero seco…produtos perecíveis (como milho verde) descascados e amontoados na calçada ou no asfalto imundos antes da venda…baldes sujos com água para lavar-se as mãos, o peixe e espirrar no alface…homens fazendo xixi atrás do poste, que escorre por baixo da banca de abóbora até chegar numa poça…animais vivos (galinhas, patos…) amontoados em cofos no chão frio, uns sobre os outros, encardidos, esperando a hora de serem abatidos…águas servidas jogadas, em baldes ou bacias, na calçada ou na rua..

Aquilo não é um crime contra as pessoas mais pobres, que procuram lá preços mais baixos; contra o cidadão ludovicense ou contra a nossa cidade, que pretende ser histórica,  cultural e turística: é um crime contra a humanidade. Perdemos um pouco da nossa essência ao convivermos com tamanho caos.

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